Dizem que o Brasil tem 190 milhões de técnicos. Se for verdade, agora, somos 190 milhões de frustrados, porque a paixão dos brasileiros pelo futebol é diretamente proporcional à nossa decepção ao sermos derrotados e eliminados da Copa do Mundo pela Holanda.
É verdade que 31 países serão eliminados no decorrer da competição, retornando cabisbaixos para casa. O problema é que, para nós, o futebol não é só esporte, é redenção: no sucesso de Kaká sonhamos deixar de ser terceiro mundo; vendo as pedaladas de Robinho, temos esperança de que nossa malandragem driblará a corrupção de nossos políticos e nosso sistema educacional falido; se Lúcio levantasse a taça, sentiríamos que somos um só com ele, um povo unido e vencedor, todos irmanados em torno da vitória. Dá para entender porque tanto entusiasmo – e tanto desengano.
Bem, não foi desta vez... Infelizmente, é improvável que o brasileiro aprenda a não atribuir tanta importância a um jogo, nem depositar tanta expectativa numa equipe de atletas, por melhores que sejam. Aliás, quem dera os cristãos brasileiros aprendessem a não mais se deixar levar pelas paixões que são aqui da terra, tão vãs quanto correr atrás do vento, e pusessem o coração exclusivamente nas coisas lá do alto, onde Cristo vive (Colossenses 3.1-2).
Rev. Alceu Lourenço
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