Foi uma dura tarefa. Participei da Comissão do Supremo Concílio que deliberou sobre o “ESTUDO DA QUESTÃO MAÇÔNICA” (SC/IPB/2006). Estivemos reunidos por horas numa sala com cerca de 40 deputados e parecia que não chegaríamos a lugar nenhum. Por diversas vezes a sala foi visitada por irmãos na fé com as mais diferentes posições. Ouvi muita coisa, não queiram saber, desde alguns pronunciamentos equilibrados, sérios, empolgados, a comentários não devidos e impróprios.
Entendo que o assunto se encontrava mais que “maduro” para uma decisão. E assim foi. Por uma maioria quase esmagadora, a Comissão finalmente aprovou o relatório que declarava a incompatibilidade da maçonaria com a fé cristã. Depois de mais de 100 anos, de várias reuniões e resoluções do Supremo Concílio da IPB, caminhamos para uma decisão, ao meu ver, sensata e cristã. Ainda que temo não ser definitiva, a história que o diga!
A Comissão, ao entender a incompatibilidade da maçonaria com a fé cristã, não restou dúvida que todo e qualquer membro da IPB deveria deixar a maçonaria. Não é uma questão de fórum íntimo, mas de fórum externo da igreja em considerar as práticas e rituais maçônicos pecaminosos. Daí o rompimento total de todo cristão com a maçonaria, ainda que os mesmos devessem antes ser pastoralmente orientados e lhes dado tempo para o rompimento (até março de 2007), sob o entendimento de que a permanência de qualquer membro da IPB na maçonaria, seria considerado como falta e, portanto, passível de disciplina eclesiástica.
Talvez fosse muito para um relatório, parecer de uma Comissão tão discreta ao plenário do Supremo Concílio da IPB, pois a não ser a pessoa do relator, todos os demais membros eram “desconhecidos”, inclusive eu. E daí, agimos conforme a nossa convicção, diante de Deus e de sua Palavra. Confesso que depois de lido o relatório (não pelo relator, pois discordava frontalmente de seu conteúdo, ainda que estivesse ali para representar a Comissão), e ouvido o ardor dos oradores sobre o relatório e tantos substitutivos apresentados, fiquei perplexo. Mas me acalmei, pelo bom período em que o plenário foi submetido à oração, enquanto os proponentes dos substitutivos se retiraram do plenário e seus interesses e convicções eram cedidos em nome de um substitutivo que não fosse tão “radical” como o parecer da Comissão em discussão.
De fato, os contrários ao relatório da Comissão, tiveram que fazer uma ginástica muito grande, uniram-se em torno de um só substitutivo, ainda que a maioria deles tivesse apresentado outros substitutivos contrários àquele a que eles se uniram. Às vezes a conveniência sobressai a convicção.
O relatório da comissão foi vencido por um substitutivo que afirmava também a incompatibilidade da maçonaria com a fé cristã, mas discordava dos procedimentos aplicados (a maçonaria é incompatível com a fé cristã, mas os que são maçons, não são obrigados a deixar a maçonaria). Mas, interesses e conveniências à parte, o plenário do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, historicamente e em uma maioria esmagadora, declarou a maçonaria incompatível com a fé cristã. Soli Deo Glória.
Rev. Itamar A. Araújo.
|