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O Cristão e a Arte - Alguns bons exemplos

 


Encontramos Jesus por diversas vezes ensinando através de parábolas, estórias. Algumas são bem conhecidas tais como a do filho pródigo, do semeador, o ricoe Lázaro e assim por diante. Ele usou a arte tão conhecida de seu tempo, a de ensinar verdades espirituais por meio de estórias. Suas parábolas não eram boas apenas por conterem verdades eternas, mas pela arte que tinha em as contar. Seus ensinos sempre causaram admiração e espanto.

O reformador de Zurique, Ulrico Zuinglio (1484-1531) que proibiu a arte e a música na igreja porque insistia na centralidade única da Palavra e dos sacramentos. Muito embora se deva dizer que o mesmo tocava instrumentos e fundou a orquestra de Zurique. “Vez após vez percebemos a atitude dos reformadores como sendo longe de antiarte ou antimúsica; queriam, pelo contrário, libertar a Palavra no culto e as artes da criação, desde que estas não tivessem primazia sobre a Palavra” (HORTON, Machael S. O Cristão e a Cultura. SP: Cultura Cristã. 1998. p. 24). O problema não era com a arte e nem com música na igreja, mas com o espaço que ele exigia ter para exposição da Palavra, pois entendia a música como um maravilhoso dom de Deus.

O nome de John Sebastian Bach é conhecido por suas peças sacras e seculares que levavam a mesma assinatura “S.D.G”. – o dito da reforma protestante “Soli Deo Gloria” (só a Deus a glória). Artista como Bach era capaz de movimentar-se livremente entre o secular e o sagrado sem confundir um com o outro, pois entendia que eram esferas legítimas e divinamente ordenadas, mas não confundiam as duas.

O Reformador de Genebra, João Calvino, encorajou o desenvolvimento de sociedades musicais na comunidades e como exemplo  foi o de empregar o poeta mais famoso da Renascença Francesa, Clement Marot (1497-1544) para escrever o texto e compor a música para o cântico dos salmos com a assistência de Louis Bourgeois.

Destaca-se ainda nas artes dramáticas, o impacto significativo da visão dos reformadores. Enquanto na idade média boa parte das peças dramáticas eram voltadas para a moralidade, que quase sempre tinham o mesmo final: o bom era recebido na glória e os que não aprenderam a lição eram lançados no inferno. Surge o sucessor de João Calvino em Genebra, Teodoro de Beza (1519-1605), que escreveu a primeira tragédia francesa. Um pouco mais tarde, Martin Butler, puritano na Inglaterra, escreve uma obra importante para o teatro chamada de Theater and Crisis.
A tradição reformada certamente ensina a igreja cristã de nossos dias. É preciso considerar que este é o mundo de Deus e que ele governa providencialmente mesmo onde não reina como Salvador. A herança  do cristianismo evangélico precisa ser observada como referência e questionada a posição de muitos cristãos contemporâneos quanto a arte, seja ela musical, dramática ou até mesmo de contar estórias. 

Rev. Itamar

 

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