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Pensando o livro e o filme "O Código da Vinci"

 


É incrível como depois de cerca de 2000 mil anos, Jesus Cristo continua sendo objeto de uso da literatura secular, bem como da indústria do cinema. E além disso, sempre despertando interesse do público. Entendo que a questão gira em torno de “quem Jesus foi realmente”?. A problemática é justamente aceitar que Jesus foi e fez o que os evangelhos registram.

O livro “O Código Da Vinci”, do ex-professor ginasial norte-americano, Dan Brown, que vendeu mais de 20 milhões de exemplares (best-seller) e que se transformou em uma obra cinematográfica, vem gerando algumas inquietações no público em geral, bem como no meio católico, protestante e de estudiosos da religião.

Em síntese, o enredo desse romance se baseia em afirmar que Jesus foi casado com Maria Madalena, com quem teve uma filha. Este fato teria sido supostamente silenciado pela Igreja ao longo dos séculos, através de assassinatos e guerras. Segue-se então o romance, cheio de enigmas e descobertas, na busca de resgatar a verdadeira história.

Por um lado, deparamo-nos com Jesus (dos evangelhos), o personagem histórico, que tem transformado milhões de pessoas por ser o seu Redentor pessoal, o filho de Deus, que veio ao mundo para perdoar os pecados humanos e preparar seu povo para o Juízo Final. E por outro lado, com um outro Jesus, personagem fictício (Jesus do “O Código Da Vinci”), não divino e secundário, que apenas se casou com uma mulher - essa sim, líder de discípulos que espalhariam a Boa Nova pelo mundo. Há uma distância abismal, entre eles.

Na verdade, ainda não sei se concebo “O Código Da Vinci” como uma afronta a Jesus ou até mesmo como mera ficção. Pois o Jesus que aparece no livro nada tem a ver com a figura histórica de Jesus Cristo dos evangelhos. Na verdade, conceber Jesus como apenas homem sem divindade, casado e com filhos, com uma mulher por vezes traduzida como prostituta, seguidor e não líder, contraria o que registra os evangelhos. O pior de tudo, é que o autor não se sustenta com provas históricas e ou documentais de suas elucubrações. É fácil dizer dos outros o que pensamos ou até mesmo atribuir a eles as nossas fantasias e loucuras e nada provar.

Lí recentemente uma crítica que dizia “Como romance de fundo histórico, ‘O Código Da Vinci’ peca pelas imprecisões factuais. Como thriller policial, tem desfecho ‘anticlimático’. Como enigma esotérico ou religioso, opta por soluções ‘simplistas’ e uma teologia ‘bem barata’. Mas, como best-seller, o livro não erra: repete a fórmula do sucesso mercadológico, sem arriscar-se em experimentações formais”(GALVÃO, 2005, USP). Sou levado a pensar que tal sucesso do livro é resultado de estratégia de marketing, pois não há nele, nada que justifique tamanho sucesso. Simplesmente, Dan Brown, usa de enigma esotérico que exige decifração, por isso o herói é um simbologista da Universidade Harvard, acolitado por uma criptógrafa. Segundo, os segredos escandalosos da vida privada de Jesus Cristo e a história de seu casamento com Maria Madalena. Terceiro, é um thriller de detetive, de suspense, e bom de enigma, mas ruim de solução. Tudo isso pode ser descrito como o esoterismo, a religiosidade, o oculto e a magia, que são, a meu ver, compensatórios do excesso de materialismo de nosso tempo, do fundamentalismo do mercado, do primado da mercadoria e da idolatria do consumo. Não poderia ser diferente, teria que vender mesmo!

Se antes apresentei a discrepância entre os dois “Jesus”, o dos evangelhos e o do “O Código Da Vinci”, não poderia deixar de mencionar pelo menos dois grandes “furos” de Dan Brown, que são o do tratamento dado à lenda do Santo Graal, que nunca teve nada a ver com a Santa Ceia de Jesus Cristo nem com a famosa tela de Leonardo Da Vinci, mas sim com uma tradição literária que surge por volta do século 11 ou 12, na Europa, sem vínculo seja com a cultura romana, com a grega ou com a judaica, e sim, que faz parte da saga do rei Artur e da Távola Redonda. O outro “furo” do “O Código Da Vinci” é pensar que os documentos descobertos do mar Morto tenham alguma coisa a ver com Jesus Cristo ou alguma revelação sobre o mesmo. Isso é impossível, pois esses documentos foram escritos e tratam de época bem anterior a própria vinda de Jesus.
No mais, se desejar tirar as suas próprias conclusões, leia os evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e compare “O Código Da Vinci” com os mesmos. Deus próprio o convencerá de toda verdade. 

Rev. Itamar

 

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