É possível que não haja outro momento na história tão delicado e sofrido como os nossos dias para que se exerça a paternidade. Certas ênfases dadas, tais como a do princípio da igualdade na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) que proclama o reconhecimento da dignidade inseparável e da igualdade de todos os membros da família humana: homens, mulheres e crianças, bem como o da Constituição Federal Brasileira (1988) que inicia o capítulo dos direitos individuais discorrendo que todos são iguais perante as leis sem qualquer distinção (Art. 5º, caput). Se por um lado valoriza e dignifica o ser humano independente de sua sexualidade, idade, condição social, por outro nivela a todos, inclusive o pai. Minimiza-se a figura paterna, quando não a substitui, repassando o pátrio poder a outros. Pode-se dizer que a figura do pai está falida.
Vive-se em muitos lares a ausência do pai, mesmo quando o mesmo encontra-se presente fisicamente. A figura masculina dentro do lar, não é mais a figura paterna, mas muitas vezes a de uma mãe que faz de tudo para suprir a sua lacuna. Surge também a figura de um colega (companheiro, amante) ou de um parente próximo que tenta substituir a figura paterna.
Não me preocupo muito em ser amigo, conquistar a amizade de meus filhos (14 e 17 anos), ainda que desfrute de uma amizade e coleguismos com eles. O que quero mesmo é ser pai dos meninos. Desejo que me vejam como pai. Entendo que isso esteja acima de qualquer amizade, igualdade. O cristianismo revela o exemplo do Criador que é Pai. Figura forte, que ama, disciplina, corrige, perdoa, que está acima, por cima, por baixo de todos os lados, mas inconfundivelmente Pai e isso está em nossa cultura também, quer você queira ou não. Nossos filhos precisam urgentemente de pai! Muito mais do que coadjuvante de tramas, erros, mas de pai que se disponha pela vivência com os filhos a descobrir o significado, até mágico, da paternidade.
Rev. Itamar A. Araújo
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