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BURNOUT EM PASTORES PRESBITERIANOS
Por Itamar Alves de Araújo

 


Este artigo é uma síntese do trabalho (monografia) de graduação do curso de Bel. em Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que objetivou identificar a incidência da síndrome de burnout em pastores presbiterianos que se dedicam em tempo integral, ao ministério pastoral, na cidade de São Paulo. De como a relação prazer-sofrimento no trabalho tem sido vivenciada pelo sacerdócio religioso presbiteriano. A pesquisa buscou, a partir da literatura e da aplicação do Inventário de Burnout de Maslach e seus resultados, verificar os índices da Síndrome da Estafa Profissional (burnout) que é um quadro caracterizado por três dimensões: exaustão emocional (EE), despersonalização (DP) e baixa realização pessoal (RP).

A síndrome de burnout pode ser entendida como uma reação à tensão emocional crônica por tratar excessivamente com outros seres humanos, particularmente quando eles estão preocupados ou com problemas. Ou ainda, é o nome da dor de um profissional encalacrado entre o que pode fazer e o que efetivamente faz, entre o céu de possibilidades e o inferno dos limites estruturais, entre a vitória e a frustração. É entendido também como resposta a um estado de estresse de caráter persistente vinculado a situações de trabalho, resultante da constante e repetitiva pressão emocional, associada com intenso envolvimento com pessoas por longos períodos de tempo. A expressão burnout indica que a energia que move e que dá vida ao ser humano fosse “jogada fora”, fosse perdido e ai, o sujeito, sente-se impossibilitado de prosseguir.

Burnout tem sido observado em muitas profissões, principalmente naquelas que envolvem altos níveis de estresse. O desgaste profissional tem sido observado entre profissionais que lidam e cuidam de outros e, por isso, se sentem sobrecarregados pelos problemas alheios. Dessa forma, sendo o trabalho do pastor presbiteriano, voltado ao cuidado de outros, do adepto religioso de uma comunidade que está sob seus cuidados, torna-se de extrema importância verificar qual o nível de burnout entre os pastores e a percepção dos mesmos quanto ao trabalho que realizam e como se caracterizam as suas vivências de prazer-sofrimento. Também é fundamental registrar números expressivos referentes aos pastores da Igreja Presbiteriana do Brasil, pois nos últimos dez anos (1999-2008), ocorreram cerca de 230 despojamentos, sendo que aproximadamente 50% foi por deposição e os outros 50% por exoneração. Estimando-se assim que dois pastores presbiterianos  deixaram o ministério pastoral a cada mês.

Foram contatados, pessoalmente, 20 pastores presbiterianos, com dedicação exclusiva ao ofício pastoral, na cidade de São Paulo, em uma faixa etária de 25 a 55 anos, com uma média de 12 anos de ministério pastoral, os quais responderam o Inventário de Maslach (MBI) que avalia as dimensões da exaustão emocional, despersonalização e baixa realização, caracterizando-as em níveis baixo, moderado ou alto.

Os dados colhidos nesta pesquisa (veja o gráfico abaixo), revelam que o cuidar religioso dos pastores presbiterianos para com os membros de suas respectivas igrejas, apresentam a classificação moderada em mais de 50% no critério de avaliação. Constata-se assim, que no ministério pastoral há uma grande possibilidade de ser encontrado  burnout, situando os pastores presbiterianos em grupo de risco. É revelador a existência, entre 10% a 20% dos casos, a incidência de uma das características de burnout já instalada e desenvolvida entre os pastores, segundo a amostra. Outro aspecto extremamente preocupante é que em 80% dos casos apresentou um nível moderado, identificando assim  é a despersonalização como característica marcante da relação pastoral com os seus liderados.



A atividade pastoral não está isenta de dor, de sofrimento e como todo e qualquer trabalho é uma ação que o sujeito utiliza sua singularidade e imprime nele características de sua personalidade e nem sempre tem a possibilidade de exercer o seu trabalho dessa forma, gerando então estados de insatisfação, desânimo, fadiga, tristeza, angústia, impotência frente ao trabalho, caracterizando sintomas que se traduzem em indicadores de burnout.
                 
De certo, é preocupante para o ministro, Conselho e Concílio constatar que os seus pastores estão incluídos num grupo de risco, requerendo, portanto, medidas e providencias pro-ativas que possam contemplar desde a diminuição da carga do trabalho pastoral; criação de sistema eficiente de apoio pastoral; maior reconhecimento e valorização das igrejas em relação às atividades pastorais; menos cobrança e maior participação dos presbíteros (regentes) nos cuidados pastorais para com o rebanho; desenvolvimento de algum hobbie por parte do ministro; gozo regular de férias e observação do dia de descanso pastoral (que seja um dia em que o pastor e toda a sua família possam estar juntos, que nem sempre é a 2ª feira) indo até a licença (remunerada, se possível) para tratamento mais específico, caso seja necessário.


A Exaustão Emocional é referente ao sentimento de fadiga e redução de recursos emocionais para enfrentar situações estressoras.

A Diminuição da Realização Pessoal  é referente à percepção da falta de competência para solucionar os obstáculos e da satisfação com as realizações do trabalho.

A Despersonalização é referente a ações negativas, ao ceticismo e a insensibilidade em relação a outras pessoas.

A síndrome de burnout não é sinônima de estresse, visto que ela está mais relacionada com a fadiga psicológica. A diferença entre a síndrome de burnout e o estresse é que  o estresse aparece como uma relação particular entre uma pessoa e seu ambiente, enquanto a síndrome de burnout envolve atitudes e condutas negativas da parte da pessoa em relação aos usuários de seus serviços, clientes, organização e/ ou trabalho.

 

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